Campo Grande, Quinta-feira, 09 de setembro de 2010
Quarta-feira, 28 de julho de 2010 18:40           Tamanho do texto

Estatuto do torcedor gera questionamentos em torcidas organizadas


Redação MS Record



O estatuto do torcedor - sancionado ontem pelo presidente Lula - ainda é motivo de dúvidas para algumas torcidas organizadas de Mato Grosso do Sul. As novas regras prevêem pena de prisão para quem provocar violência nos estádios.

As regras do novo estatuto do torcedor valem para estádios com mais de 10 mil lugares. É o caso do Morenão, em Campo Grande.

Um dos artigos é muito claro quando diz que os grandes estádios brasileiros deverão desenvolver centrais técnicas de informações. Medida para evitar possíveis tumultos, atos de violência. O estatuto do torcedor exige, também, infra-estrutura como o monitoramento por câmeras do público presente no dia do jogo e a instalação de catracas de acesso no estádio.

O presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul garante que essas medidas já vinham sendo adotadas e vão continuar.

“Nós temos que cumprir todas estas obrigatoriedades, se não, não tem como realizar os jogos aqui e é importante ser cumprida”, ressalta o presidente da FFMS, Francisco Cesário.

O novo estatuto tornou crime atos de violência nos estádios de futebol. Para o torcedor que invadir o campo ou praticar agressões num raio de cinco quilômetros do estádio a pena é de até dois anos de prisão. A mesma punição é prevista para quem for ao estádio com instrumentos que possam ser usados como armas. Já os cambistas poderão ser punidos com até quatro anos de cadeia.

“Os árbitros que fraudarem resultado de jogo também serão presos em até três anos”, afirma o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva/MS, Riad Saddi.

Para o Pavilhão 9 - torcida organizada do Corinthians, em Campo Grande - o estatuto do torcedor ainda gera dúvidas.

“Como eles vão saber num raio de cinco quilômetros, sendo que torcedores podem usar a camiseta de outros times para cometer atos de violência, como saber se eram mesmo daquela torcida”, questiona o diretor geral do Pavilhão 9, Raul Vignoli.

Os corinthianos questionam o artigo que responsabiliza as torcidas organizadas por possíveis danos ao patrimônio.

“As vezes a atitude isolada da torcida pode ocasionar um prejuízo para a torcida organizada”, explica a tesoureira do Pavilhão 9 Elizabeth Coimbra.

Uma das normas do novo estatuto é o cadastro de quem participa das torcidas organizadas, o que já é feito pelo Pavilhão 9. Para o presidente, as medidas de combate à violência nos estádios são importantes para o futebol.

“Dentro das exigências ele tem que punir criminalmente o torcedor que foi pra fazer baderna e acabar com o espetáculo”, disse o presidente do Pavilhão 9, Anderson Mandu Moreira.

O novo estatuto do torcedor proíbe, também, a entoação de cânticos discriminatórios, xenófobos ou racistas durante jogos. (Colaborou Juliana Lanari)






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