Se de um lado os produtores de milho sentem os efeitos da seca, quem produz crambe já não tem o mesmo problema, embora seja uma espécie exótica a falta de chuva e baixa temperatura não comprometem o desenvolvimento da planta, considerada de grande potencial para produção de biocombustível.
A área - em pleno florescimento - fica no município de Maracaju - distante 150 quilômetros de Campo Grande, de tão pequenos - os grãos quase somem na palma da mão, mas quando completarem o ciclo de desenvolvimento - vão produzir óleo combustível, que o mais novo investimento deste engenheiro agrônomo, Luis Alberto Moraes.
“Eu acho que todo produtor tem sempre que buscar novas alternativas de diversificações de culturas e se encaixa muito bem nesta época de plantio que não divide espaço com o milho safrinha e é plantada após o termino do milho safrinha e é uma cultura de inverno”, diz Luis Alberto.
A oleaginosa surgiu na Etiópia, hoje é muito comum nos Estados Unidos e na Europa, as baixas temperaturas e a falta de chuvas não impedem o desenvolvimento dos grãos, por isso o plantio é indicado para este período do ano.
“Nós estamos em uma época muito perigosa e por isso o cambre deve ser plantado antes do milho e também o cambre resiste mais a geada”, explica Luis.
A planta tem substâncias tóxicas que repelem as pragas, por isso dispensa o uso de inseticidas, o ciclo é considerado rápido, 90 dias e as raízes profundas ajudam a renovar os nutrientes do solo.
“Nós recomendamos solos corrigidos ou de alta fertilidade e ele se desenvolve muito bem, e traz uma aumento de 15% de produtividade colocando o solo em sincronismo de produtividade para o cultivo de milho”, afirma o pesquisador e engenheiro agrônomo, Renato Roscoe.
O mesmo maquinário usado para o plantio e a colheita da soja é reaproveitado para o crambe, por hectare o gasto chega a R$ 250 e o lucro é de R$ 100. Numa plantação de 50 hectares - como a de Luis Alberto, a renda pode chegar a R$ 5 mil, ele faz parte de um grupo de agricultores do estado - que investiu na oleaginosa pela primeira vez.
São produtores das cidades de Maracajú, Dourados, Rio Brilhante, Ponta Porã, Fátima do Sul, Antônio João e São Gabriel D Oeste que juntos plantaram três mil hectares.
O crambe vem sendo pesquisado em Mato Grosso do Sul há 14 anos e só em 2010 começou a ser plantado por agricultores do Estado é que agora há um incentivo a mais, uma empresa de Dourados se comprometeu a comprar a produção, a expectativa é retirar de 700 e 750 toneladas de óleo dos grãos comercializados.
Tudo que for extraído vai virar biodiesel, um grão de crambe tem em média 35% de óleo, o dobro da quantidade encontrada na soja e no algodão. (Colaborou Danielly Escher)

