Sustentabilidade vem motivando muita gente a rever o manejo de suas propriedades rurais, a equipe do Record Rural visitou uma propriedade onde a suinocultura é o carro chefe do agronegócio. Mas os sub-produtos dessa exploração agregam valor e evitam que a natureza seja agredida.
O grito das galinhas é conhecido como sinal de boas vindas, na granja de José Pinesso na fazenda Monte Azul em São Gabriel D'oeste. Referência em suinocultura na região norte do estado - a granja possui 2500 matrizes. Com o casamento entre genética e manejo adequado, o resultado é sempre: maternidade lotada! Na fazenda a cada minuto é possível registrar o nascimento de mais um leitãozinho. Primeiros minutos de vida - cuidado com a cura do umbigo e com o fornecimento de calor para os recém-nascidos - tudo catalogado. O alto controle de sanidade garante uma super produção de carne suína. O negócio começou pequeno, há 17 anos.
Hoje é atividade lucrativa, Mas José atravessou maus momentos da suinocultura. A vulnerabilidade do preço da carne - crise mundial - preço da ração - energia e água - tudo contribuiu para o aumento do custo de produção. O produtor pensou em largar a atividade - mas a persistência - somada à esperança de dias melhores - fez com que ele aplicasse na prática uma antiga lei da física.
E foi transformando o que a natureza oferece de graça nos dejetos dos animais - que José descobriu como controlar os números - e reduzir os custos.
A conta de energia elétrica - por exemplo, chegava a quase 20 mil reais por mês. Com o biodigestor, a granja passou a ser auto-sustentável. Mas pra chegar até esse ponto - ele pesquisou em vários países a melhor maneira de aproveitar os dejetos. Hoje - a bomba que lava o galpão - é alimentada pela energia produzida na própria granja. Os dejetos vêm pelas canalizações e caem na água. É o princípio do processo de aproveitamento.
A necessidade em deixar a granja sempre limpa - e assim - valorizar a estrutura importada para garantir o conforto dos animais - exige uma atenção especial de cada funcionário. Hoje - 70 pessoas trabalham no manejo dos suínos.
Transformação da energia
O funcionamento do motor - antes movido a diesel - e agora adaptado para funcionar a gás natural. É mais uma parte do processo de reaproveitamento na granja. O motor bombeia a mistura dos dejetos até este grande tanque - e é ali que ocorre a decomposição final do material orgânico.
“Depois que passa pelo biodigestor essa matéria orgânica já esta toda preparada e o odor já não existe mais. Ela esta pronta para fazer a fertirrigação, primeiro ela se transforma em energia - gás depois geramos a energia e ela vem para o biodigestor para ser gerada lá embaixo”, afirma José.
Totalmente decomposto, o material produzido pelos dejetos se transforma finalmente em adubo com alto valor nutritivo. Mais dois motores - movidos a gás metano produzido pelo diodigestor - são usados para bombear o adubo até o campo. Finalmente se vê a imagem que traduz a força da fertirrigação. No pasto ou nas mais variadas culturas - o adubo é um rico fertilizante.
Hoje - 42 dos 3600 hectares - possuem o sistema de fertirrigação. Na propriedade dedicada a suinocultura - o sistema motivou José a investir na pecuária. Hoje - a fazenda Monte Azul possui um plantel de 700 cabeças de gado. Desde que a fertirrigação foi implantada, as áreas de pastagem não precisaram ser reformadas. O que acarreta em mais economia. (Colaborou Edson Gogoy)

