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20 de fevereiro de 2012 - 15h53 • Nenhum comentário

Fotógrafo expõe em redes sociais fotos dos antigos carnavais de Campo Grande

Acervo resgata os carnavais de 30, 40 anos atrás
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Para os foliões que passaram dos quarenta, que viveram carnavais inesquecíveis, em Campo Grande, o ponto de partida dessa produção foi o acervo do fotógrafo Roberto Higa. As fotos foram postadas em uma rede social e muitas pessoas se viram nos registros e, claro, caíram na nostalgia.

Personagens inesquecíveis, momentos de glória e de alegria coletiva. O acervo resgata os carnavais de 30, 40 anos atrás em Campo Grande e está em exposição na internet. Roberto Higa, o fotógrafo que tanto clicou o carnaval, rendeu-se às redes sociais.

“Eu conseguir resgatar a personalidade da cidade e do estado, que o povo já tinha esquecido”, afirma o fotógrafo.

Amigos de Higa e anônimos se reconheceram nas fotos, nos comentários e nas recordações.

O jornalista cândido Alberto da Fonseca até ajudou a fazer as legendas das fotos.

O "esquenta" da turma de amigos, na época, adolescentes, era na casa dele. A criatividade rolava solta.

“O cara que animava os carnavais em Campo Grande de saudosa memória, um dos maiores cantores desse Estado que era o Nascimento, ele sempre cantava as mesmas músicas no carnaval. E a gente fantasiou de ‘saco cheio’. A gente botou um saco de estopa escrito ‘Bum’, coisa simples e inventamos uma marchinha. Assim, virou a marchinha do nosso bloco”, diz Cândido.

Voltemos ainda mais na linha do tempo. No fim da década de 1930, os corsos, carros que levavam foliões por passeios pela cidade, também eram moda em Campo Grande.

A professora Maria Da Glória Sá Rosa era menina e adorava participar.

“Os carros passando, as pessoas levantando os braços, gritando, jogando serpentina e também o lança perfume, era toda aquela alegria. A gente andando e participando de tudo isso. Aquela alegria de um carnaval sincero, puro que todo mundo participava, porque se preparou para aquilo”, conta Maria da Glória.

Décadas mais tarde, blocos e escolas de samba passaram a desfilar pela rua 14 de Julho. Entravam em cena figuras míticas como a simpática "Dona Carioca".

“Todos os anos estava a Dona Carioca com quase 80 anos desfilando. E o vestido de baiana do mesmo jeito, porque ela era baiana de nascimento. E ela em todos os carnaval, eu acho que ela deve ter falecido na pista, porque como gostava de carnaval aquela mulher”, lembra Roberto.

A elite pulava carnaval no Rádio Clube. Era em um prédio, construído em 1924, que a alta sociedade campograndense desfilava alegria.

“Não adiantava você chegar no Rádio Clube com uma mala de dinheiro falando ‘eu tenho dinheiro’, não adiantava. O que se perguntava era o seguinte: ‘Você é neto de quem? Quem são seus pais?’. Aí você entrava ou não”, explica Higa.

A classe média de Campo Grande, na época, lotava os salões de outros clubes nas cinco noites de carnaval. O Libanês era um deles. Era lá que os foliões dançavam e cantavam os sambas e as marchinhas até o dia raiar.

O Surian também viveu muitos carnavais. Era um clube para cada segmento da sociedade.

“O Cruzeiro era de japonês, o Noroeste era do pessoal da Noroeste do Brasil e da região do cascudo, União dos Sargentos e Subtenente era para o exército, base aérea, para esse povo diferenciado. Então assim era a sociedade de Campo Grande, era bem divida”, diz o fotógrafo.

Os amigos Nelson Nachif e Cachopa fizeram história no carnaval de Campo Grande. Nachif foi o idealizador dos primeiros carros alegóricos da cidade.

“Nós fizemos uma bica romana, nós fizemos os Aqualoucos e alguma coisa que eu não lembro agora. Eu fiz uns quatro, cinco. Aí eu cansei, não tinha jeito e nós paramos. Mas pelo menos a rua começou a animar fazer Bloco de Sujo e essas coisas todas”, diz Nelson Nachif,empresário.

Cachopa colocou pra rodar o primeiro trio elétrico de Campo Grande. Graças a um amigo, empresário.

“Ele me deu um caminhão zero quilômetro, zero, com motorista, combustível e bebida. Ele falou ‘ vai fazer a festa em Campo Grande’”, conta Cachopa, publicitário.

A ordem era revolucionar: porque não organizar uma noite hawaiana.

“Nós cobrimos a piscina com madeira, que era a pista de dança. Só que nessa época, todas as mesas tinha fruta à vontade, tinha show, todo mundo fantasiado, era uma coisa maravilhosa”, lembra Nelson.

No antigo bar do Paulo, Cachopa promoveu um concurso de samba enredo e instituiu a noite oficial da alegria.

“Eu subi no palco e falei: ‘gente, a partir de hoje, toda sexta-feira tem samba aqui no bar do Paulo. E pronto, aí virou essa confusão que era pastelzinho, franguinho, gato e muita gente bonita. E foi o movimento e começou a virar o carnaval em Campo Grande”, diz Cachopa.

O carnaval de antigamente, visto com os olhos de hoje, é mais do que preto e branco. É o testemunho da inocência.

“Até o nome dos blocos, tudo era inocente”, conta Higa.

De amizades eternas.

“Essas amizades perduraram e esses carnavais solidificaram, porque a gente fazia realmente a festa da alegria”, diz Cândido

De um sonho com prazo de validade.

“Carnaval é uma representação, você está ali vestido de rei, vestido de pirata, vestida de cigana, você vive por uma noite, ou várias noites o sonho de ser outro. De viver uma vida além da sua”, diz Maria da Glória.

(Colaborou Juliana Lanari, TV MS Record)



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