Quarenta ovelhas de um projeto experimental da Embrapa Gado de Corte de Campo Grande foram atacadas por uma onça, provavelmente parda. Além do prejuízo econômico, a pesquisa também sofreu danos irreparáveis e o recomeço depende de atitudes organizadas pelo poder público representado pelo Ibama.
Em um ano e meio, quarenta ovelhas foram abatidas pela onça que ronda a fazenda da Embrapa.
“Tem dia, por exemplo, que já ocorreu quatro animais serem abatidos no mesmo dia”, conta João Batista Catto, pesquisador da Embrapa.
A criação é experimental. Faz parte de uma pesquisa sobre verminoses. A propriedade da Embrapa Gado de Corte, de 1,2 hectares, fica no município de Terenos.
Uma foto tirada no local do sumiço das ovelhas, mostra pegadas da onça. Algumas ovelhas foram abatidas perto do curral e nem sempre o felino come a presa inteira.
“O consumo dela é bem pouco, só na região peitoral do animal. Ela come um pouquinho ali e já deixa a carcaça”, diz Joel Ferreira da Silva, tratador das ovelhas.
A suspeita é que a onça seja da espécie parda. Os ataques são sempre à noite
Para evitar novos ataques da onça, agora, as ovelhas passam a noite confinadas dentro do curral. Os animais são trazidos por volta das quatro horas da tarde e só saem no outro dia, às 8h. Uma mudança na rotina que tem atrapalhado o desenvolvimento da pesquisa.
As ovelhas têm deixado de pastar nos horários mais apropriados: logo que o sol nasce e no fim do dia.
“A gente tem dois prejuízos, pelo abate direto dos animais e pela perda de peso dos animais, por não poderem pastejar. E isso tem consequência em toda eficiência na taxa de parição e no ganho de peso dos animais”, relata João Batista.
As lâmpadas do curral ficam acesas a noite toda. E o cão está sempre de guarda.
“Ele dá o sinal de alerta, fica latinho à noite, mas por ele ser sozinho, creio que não vai até ela. É um cachorro novo também, só late”, diz Joel.
Para afugentar a onça das ovelhas, o Ibama orientou a Embrapa a soltar rojões durante a madrugada.Ou instalar cercas elétricas ao redor da propriedade. Estudos mostram resultado.
“Houve um decréscimo de 80% do ataque com a utilização de cerca elétrica”, afirma Paula Mochel Pereira Lima, coordenadora do núcleo de fauna do Ibama.
Para o pesquisador da Embrapa, as sugestões são inviáveis.
“Em questão da cerca elétrica, de soltar rojão, ela fica impraticável ou economicamente difícil de ser feita. Porque até para manter pessoas caminhando pela propriedade à noite, soltando rojão, tem toda a questão da segurança e o encargo social que tem em relação a trabalhar à noite, fica muito mais difícil”, explica João.
Ataques de onças a rebanhos de gado são mais comuns do que se imagina.
“Todo produtor rural, seja ele em qualquer lugar do Estado, está tendo esse problema sim aqui no Mato Grosso do Sul”, diz o criador de gado, Zé Ito.
Matar animais silvestres, mesmo que predadores, é proibido por lei, no Brasil. E retirá-los do habitat natural não é recomendado pelo Ibama.
“Pode ter lá no local um macho, sozinho. Você abrindo o espaço, retirando esse macho de lá, pode vir uma fêmea com filhote, então os ataques vão aumenta, a perda vai ser maior”, explica a coordenadora do Ibama.
Um pecuarista defende um projeto em tramitação no Congresso Nacional: o pagamento de indenização em caso de ataque de onça a rebanhos. E cita um exemplo norte-americano.
“Todo produtor rural, que é predado por lobo nos Estado Unidos, ele tira uma foto do seu prejuízo, tira uma foto da carcaça do animal abatido e encaminha para o governo. Ele recebe U$ 600. Essa é outra maneira. Aí, se essa predação é consistente, se continua tendo, vem uma equipe do governo, captura esse lobo e leva a mil milhas a norte nos Estados Unidos. Então lá, o produtor rural é assistido verdadeiramente, aqui estamos todos ao léu da natureza”, desabafa Zé Tito.
(Colaborou Juliana Lanari, TV MS Record)


