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21 de julho de 2010 - 10h11 • 01 comentário

'Caçadores de onça' presos pela PF utilizavam modernas armas de caça em fazendas do Pantanal

Operação Jaguar
Fotos: Divulgação / PF
Redação MS RecordA Polícia Federal (PF) prendeu 8 pessoas, sendo 4 argentinos, 1 paraguaio e 3 brasileiros, um deles policial militar do Estado de Mato Grosso, dentro da operação Jaguar, deflagrada na tarde desta terça-feira (19), com o objetivo de desmantelar uma organização com atuação em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná, cuja principal atividade era a caça e o abate clandestino de animais de grande porte, como onças pintadas, pardas e pretas, no Pantanal e em outras regiões do País. Todos estavam portando grande número armas e munições de diversos calibres, no momento da prisão, em fazendas da região de Sinop (MT).

De acordo com a Polícia Federal, as investigações foram desenvolvidas em conjunto com o Ibama, e tiveram início no ano passado pela PF de Corumbá, extremo oeste de Mato Grosso do Sul, no Pantanal. Os agentes tiveram acesso a relatos do encontro de carcaças de onças em algumas fazendas na região pantaneira do Estado e ainda o sumiço de felinos que estavam em monitoramento pelo Ibama.

Camuflagem

Durante as investigações, os agentes da PF constataram a presença de indivíduos, acompanhados de um homem identificado como M. A. M. M., (filho de A. T. M. N., conhecido como o mais famoso caçador de onça do Brasil), transportando em camionetas vários cães de raça, típicos para caça de grande felinos. “O Caçador de Onça”, que em algumas ocasiões auxiliou o Ibama, se diz regenerado da fama de maior caçador de onças do Brasil, convertido agora a trabalhar pela preservação da espécie.

Os levantamentos da PF evidenciaram que o conhecido caçador de onça e seu filho usavam da prática de capturar onças para encoleiramento, no contexto do programa Pró-Carnívoros, desenvolvidos pelo Ibama, para acobertar sua atividade de caça clandestina e predatória.

Modo de operação da quadrilha

Toda a ação criminosa do grupo se desenvolve quando os caçadores, brasileiros ou estrangeiros, ingressavam no Pantanal por meio de aviões particulares, e pousavam em fazendas da região, equipados com modernas armas de caça. Nas fazendas utilizam os cães, normalmente cedidos pelo “Caçador de Onças” ou alguns fazendeiros que têm interesse em proteger seu gado do felino.

Após os registros fotográficos dos abates, os caçadores destroem as carcaças. Há evidências que alguns “troféus” são levados até para o exterior, uma vez que a PF constatou a frequente participação de uma pessoa, identificada como F. C, residente em Curitiba, no Paraná, com conhecimento em taxidermia, arte de empalhar animais.

Normalmente as caçadas predatórias são organizadas pelo caçador profissional identificado como E. A. S., residente em Cascavel, também do PR. Pelos chamados “safáris”, os clientes pagavam por animal abatido, especificamente onça-pintada, parda e preta, e, por um valor a maior, tinham o direito à pele, cabeça ou a todo o animal, que era empalhado em Curitiba.

A PF não descarta a possibilidade do grupo participar de safáris na África, introduzindo no Brasil, peles e partes de animais caçados naquele continente, inclusive no tráfico de marfim, cuja comercialização é proibida internacionalmente.

Prisões

Acolhendo representação da Polícia Federal, a Justiça Federal de Corumbá (MS) autorizou o monitoramento do grupo e expediu 7 mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão.

Em Mato Grosso do Sul, foram cumpridos pela PF, dois mandados de prisão temporária em Miranda e 4 mandados de busca, e em Bodoquena, onde foram três mandados de busca e apreensão, com apoio da Polícia Civil.

No Mato Grosso, a PF cumpriu dois mandados de prisão temporária em Rondonópolis e 3 mandados de busca. Em Sinop, a atuação da PF e do Ibama, realizou a prisão do “caçadores” em flagrante durante plena atividade predatória.

Já no Paraná, foram cumpridos um mandado de prisão temporária e um de busca e apreensão em Curitiba, um de prisão e dois de busca e apreensão em Cascavel e na cidade de Corbélia, um mandado de prisão temporária e um de busca e apreensão.

Crimes

Os alvos, independentes das circunstâncias em que forem presos, serão indiciados nos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, por perseguir, caçar ou matar animais da fauna silvestre sem permissão, com pena de seis meses a um ano e ainda por porte ilegal de arma de fogo, cuja pena prevista é de até 4 anos de reclusão e pelo crime de formação de quadrilha ou bando, com pena de 1 a 3 anos de reclusão, em caso de condenação.

A operação foi deflagrada ontem (20), por volta de meio-dia quando equipes de policiais federais e do Ibama, utilizando viaturas tracionadas e ainda um helicóptero do Ibama, prenderam em plena atividade de caça clandestina as oito pessoas. Todos portando grande número armas e munições de diversos calibres. A PF efetuou a prisão do grupo na manhã, antecipando a “Grande Caçada” que estava agendada pelos predadores para ontem à noite, evitando assim o abate de um ou mais felinos.


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